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09/07/2015 - Brasília é lar para empreendedores que criam apps de sucesso em diversos segmentos, de games a prestação de serviços. Donos de projetos promissores contam como e por que investem em soluções que se destacam até fora do país

» MAX VALAREZO 
Especial para o Correio

“Já sei, vou criar um aplicativo!” A frase tornou-se muito comum entre entusiastas do empreendimento quando o mundo viu as tecnologias de smartphones e tablets se popularizarem e darem origem a negócios milionários. Mas são poucos aqueles que conseguem chamar a atenção do público e ter propostas diferentes ao lançar um programa para aparelhos móveis. 

Brasília tem apresentado aplicativos não apenas promissores, mas também de casos de sucesso nacional. “A cidade teve um crescimento de cerca de 60% no desenvolvimento de apps até o fim do ano passado, quando comparado com 2013. Há um programa feito na cidade que, em 30 dias, conseguiu atrair 100 mil usuários”, explica Hugo Giallanza, presidente da Associação de Startups e Empreededores Digitais do DF (ASTEPS), que conta com 400 associados, entre empreendedores e startups prontas. “A atividade é grande por aqui. Tanto é assim que a Apple criou um Centro de Capacitação Mobile em uma universidade da cidade”, conta.

Como Brasília também conta com boa parte da população empregada no funcionalismo público e sem grandes indústrias perto, o mercado de tecnologia tende a ser atraente, já que não é preciso sair de casa para criar um aplicativo ou um software. Segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Software (Abes), o Sudeste é o maior mercado consumidor de softwares do país, com 63,91% da receita dessas empresas. Em seguida, vem o Centro-Oeste, com 13,21%. “Montou-se um grupo de trabalho desde 2012 para promover esse tipo de empreendedorismo por aqui. Começaram mostrando projetos para o Sebrae, por exemplo, e, hoje, esse ecossistema começou a olhar para nosso mercado”, explica Rafael Lôbo, empreendedor digital e desenvolvedor de apps.

Para conseguir um espaço nesse mercado competitivo, a comunicadora Jessica Behrens, criou o tradr, que tem a proposta de facilitar a troca e a venda de objetos entre pessoas que estejam geograficamente próximas. A ideia surgiu em janeiro, quando Jessica decidiu que queria se desapegar de um objeto por dia durante um ano. Mas o desafio foi maior do que ela pensava. “Eu tinha mais dificuldade em achar pessoas para quem eu poderia dar as coisas do que em me desfazer das coisas. Então pensei: ‘e se existisse algo como o Tinder, mas para itens?’”, explica Jessica.

Assim, surgiu o tradr, que utiliza a geolocalização do usuário para conectá-lo a pessoas próximas para que objetos possam ser vendidos ou doados. Além disso, o aplicativo utiliza o Facebook para juntar colegas. Quando Jessica explicou o conceito para um amigo que estuda na Universidade de Harvard, surgiu a ideia de apresentar o projeto ao Laboratório de Inovação da instituição norte-americana. Em uma semana, o tradr já estava no programa de incubação de lá, onde segue até o fim do ano.

“O tradr chamou a atenção deles por unir dois fatores: um sistema que permite uma grande personalização do conteúdo exibido para o usuário e a proposta de incentivar a economia comunitária”, explica Jessica. “Até então, esse tipo de sistema era praticamente usado apenas com grandes negócios. Por isso, nossa ideia foi considerada inovadora por eles”, conta. Com duas bases de operação, uma em Harvard e outra em Brasília, o tradr encontra-se atualmente em fase de testes beta. “Já é possível baixar o aplicativo em sistemas iOS, mas estamos nos ajustando. Convidamos todos a se inscreverem e a nos dizerem o que acham para que possamos fazer melhoras”, convida a criadora.

Toque para pedir

Caso consiga sobreviver aos árduos primeiros meses (ou mesmo anos) de existência, um aplicativo que tenha uma proposta inovadora ganha espaço para crescer muito. Foi o caso do Apetitar, app de delivery de comida surgido em 2011 em Brasília e que é hoje um dos maiores serviços do segmentos no Brasil. “Somos a terceira maior cidade em volume de entregas de delivery on-line no país”, revela Bruno Rossi, CEO do Apetitar. “Ficamos atrás apenas de São Paulo e do Rio de Janeiro.”

Apesar de soluções desse tipo de serviço serem comuns hoje, Rossi conta que, em 2011, era um segmento pouco explorado por aqui. “Quando surgimos, encontramos muita relutância dos estabelec imentos em se unirem ao Apetitar, era algo muito novo”, lembra o executivo. Agora, já são mais de 450 restaurantes de Brasília e Goiânia que se listaram para aparecer no aplicativo.

O crescimento da empresa foi tão grande que o Apetitar chamou a atenção do iFood, o maior serviço de delivery on-line do Brasil. Interessado em expandir os negócios na capital, o iFood se juntou ao Apetitar e anunciou a aquisição da startup brasiliense em março deste ano. “É uma ótima união”, opina Rossi. “Temos o conhecimento sobre a nossa região e ele, um grande alcance, o que nos permite chegar a novos clientes mais rápido.”

Estreantes em jogo

Apesar de muitas startups que criam aplicativos trabalharem com serviços, o mercado tem espaço para quem quer criar outros tipos de produtos. E um dos segmentos que tem grande destaque em Brasília é o de games. Como o Bit Journey, jogo desenvolvido por um grupo de alunos da Universidade Católica de Brasília: Marcos Morais, Huallyd Smadi, Felipe Cesar, Heitor Costa e Gustavo Jácome. Eles se uniram graças ao Programa de Educação Brasileiro de Desenvolvimento para iOS (BEPiD), projeto da instituição de ensino voltado para formar programadores que desenvolvam aplicativos para o sistema da Apple.

O game foi desenvolvido em apenas três meses e meio devido ao prazo estabelecido pelo programa do qual participavam. “Normalmente, leva-se um ano inteiro para criar um”, explica Marcos Morais, um dos idealizadores de Bit Journey. “Mas demos conta de fechar o game nesse período, apesar dos desafios.” Bit Journey chamou a atenção na App Store pela proposta pouco vista em games para a plataforma: trata-se de um jogo 2D de mundo aberto, sem fim, com múltiplos inimigos e destruição total de cenários.

Lançado em maio, o aplicativo chegou rapidamente à quinta posição da lista de melhores jogos novos da loja virtual da Apple. Com o bom resultado obtido, Morais revela que pretende seguir na área. “Brasília tem muito espaço para crescer nesse segmento, e já temos grandes nomes por aqui, como o pessoal da Behold Studios”, aponta o programador, em referência à empresa brasiliense de games que ficou famosa internacionalmente graças a jogos como Chroma Squad e Knights of Pen & Paper.

Apps passo a passo

» Pense em algum problema ou necessidade das pessoas ou da sua cidade e como 
um app pode ajudar a solucionar a questão;

» Crie um modelo de negócios. Nesse ponto, veja se o app será gratuito ou pago ou mesmo se terá apenas algumas funções com custos;

» Depois, submeta a solução às lojas das principais marcas, como App Store e Google Play. Verifique por meio dos feedbacks nesses sites se as pessoas realmente vão utilizar o app e se será útil;

» Se funcionar, pense em uma maneira de capitalizar o negócio, por meio de anúncios ou patrocinadores;

» Não se esqueça de que há cursos on-line e presenciais para aprender a fazer seu próprio app sem precisar gastar com isso
Fonte: Correio Braziliense / DF