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Educação e mercantilismo

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30/07/2015 - Uma lição básica de economia, baseada numa simples conta matemática, diz que a crise fecha oportunidades por um lado, mas beneficia direta ou indiretamente outros setores, proporcionando inclusive o crescimento. Há ainda determinadas áreas que parecem imunes às intempéries econômicas - ao menos quando se observa os milhões nos balancetes finais. O segmento da educação privada é um grande exemplo deste fenômeno.

Nos últimos anos, aproveitando-se do grande aumento da demanda por vagas em cursos superiores, bem como impulsionadas por fusões, os grupos que controlam faculdades particulares no país conseguiram turbinar seus ganhos.

De acordo com levantamento feito pela Fundação Getúlio Vargas e publicado por um jornal de circulação nacional, as empresas do setor tiveram, em média, saltos acima de 200% nas receitas líquidas entre os anos de 2010 e 2014. Contribuíram para a evolução na escala financeira, além do aumento nas mensalidades, as contratações via Financiamento Estudantil (Fies), que respondem por enorme fatia dos acadêmicos matriculados nas instituições de ensino. Com o Fies, os repasses do governo às faculdades são garantidos, minimizando o risco de inadimplência. Especialistas responsáveis pelo levantamento classificam como "fantástico" o crescimento dos grupos empresariais do setor educacional. Do ponto de vista financeiro, certamente sim. Mas o contraponto do estudo é a redução nos gastos gerais com as principais "matérias-primas" do setor: os professores. A participação da remuneração dos educadores em relação às receitas caiu de 45% para 35%, em média, no mesmo período pesquisado. Em um grupo empresarial com atuação em vários estados, inclusive em Mato Grosso, gastava-se 52% com os professores em 2010. Hoje essa proporção é de 29%. Um sintoma de que a proliferação dos cursos universitários garantiu, por um lado, oportunidades reais a quem não tinha acesso ao ensino superior e, por outro, transformou esse tipo de investimento em negócio lucrativo. Nas faculdades há salas de aula cada vez mais lotadas e professores se esforçando para dar conta do recado. A expansão das oportunidades é um processo positivo e que não tem como retroceder. Mas o mínimo que todo aluno deve receber como contrapartida à mensalidade que paga é a garantia de que educação é um bem imaterial, sagrado, descolado do lucro, e comprometido em ensinar e capacitar.

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Fonte: gazetadigital.com.br