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Empreendedorismo: Ele cresceu entre livros e fez sucesso no negócio das letras

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18/07/2015 - São Paulo - A necessidade exigiu que Carlos Henrique Carvalho Filho assumisse os negócios da família em 1992. Ao deixar o curso de direito, aos 20 anos, e tomar as rédeas da companhia - que incluía a Editora RT-Revista dos Tribunais - ele mudou não só a sua história como a da empresa com mais de 100 anos.

No posto de CEO da BookPartners, holding que compõe a rede de livrarias Cia. dos Livros, as distribuidoras Vértice Books e Empório do Livro e a editora B4 Editores, o empresário de 46 anos mantém as estratégias da empresa, que no último ano faturou R$ 104 milhões e para 2015 prevê atinge a marca de R$ 110 milhões em faturamento.

Entre uma garfada e outra a uma apetitosa massa servida no Restaurante Mestiço, em São Paulo, Carlos Henrique conversou com exclusividade com o DCI e ao longo de muitos minutos contou com muito entusiasmo alguns capítulos de sua empreitada: "Eu nasci neste mercado editorial. Frequentava a empresa e tinha contato direto com o papel, com os materiais impressos e este mundo da comunicação. Com o falecimento do meu pai, em 1992, assumi a gestão da marca", lembra que trancou o curso de direito para enfrentar os novos desafios.

A empreitada jovial fez com que a empresa deixasse seus estimados R$ 3 milhões de faturamento para 20 anos mais tarde saltar a quase R$ 50 milhões. Neste período, os 68 colaboradores iniciais cresceram cinco vezes e superou os 300, da única livraria surgiram outras 41 unidades, sendo consolidado um império no setor.

O modelo de negócio bem sucedido se tornou case de destaque no segmento e despertou a atenção de grupos estrangeiros. Como empreendedor, Carlos optou pela venda da companhia à Thomson Reuters Business, grupo de conteúdo com informações levando-o a novos desafios.

Novas páginas

Os assuntos jurídicos que marcaram a história da editora centenária pareciam não fazer muito gosto do empresário. Porém, o setor livreiro se fez presente na continuidade dos negócios. "Em meio as atividades da Revista dos Tribunais e já detinha de um novo negócio, uma distribuidora de livros para bibliotecas e a aceitação foi tamanha que decidi apostar neste mercado que na época era muito carente. As editoras começaram a nos procurar e começamos a forma uma grande rede. "A época era positiva, pois existia uma demanda reprimida de livros, impulsionada pelo aumento do poder aquisitivo de uma parcela da população brasileira que antes era excluída da educação. Naquele momento existia uma crescente para a abertura de lojas físicas e decidimos pela aquisição da Cia dos Livros e o Empório dos Livros", sintetiza Carlos Henrique.

Posteriormente com o investimento na B4 Editores, empresa para a edição de materiais editoriais, o empresário se via envolto a toda a cadeia do setor. "Conseguimos completar o círculo e cumprir com os valores de nossa companhia", destaca.

Resultados e expansão

Ao reunir cerca de 1600 editoras do país, a companhia mantém um forte atendimento ao varejo de livros. "Conseguimos atender com prontidão e exatidão aos clientes que fazem seus pedidos conosco, pois detemos de mais um milhão de livros em estoques", comenta.

A consolidação do sucesso das distribuidoras - Vértice e Empório - do grupo são comprovadas nos resultados, pois hoje o negócio representada cerca de 35% do faturamento da holding, com forte representação ao mercado de pequenas e médias empresas do segmento que atinge 80%. Na distribuição, também se destaca o atendimento às universidades, inclusive com ate ndimento em duas unidades: uma na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e outra na Universidade Presbiteriana Mackenzie. "Este é um cliente potencial de nosso negócio. Trata-se de um público que precisa dos serviços e pode consegui-lo diretamente em nossa estrutura", analisa.

O otimismo do empresário é mantido diante da atual conjuntura econômica do País, sendo que anuncia investimento de R$ 2,5 milhões para a expansão da Cia dos Livros, com a abertura de quatro novas unidades até o final do ano. 

"Nosso foco está em cidades com até 300 mil habitantes, que não possuem uma livraria", destaca. Ainda neste ano, Carlos antecipa a retomada de novos lançamentos da B4, com ideia de um livro a cada mês

Davi Brandão
Fonte: DCI - São Paulo/SP