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Ensino abaixo da média 

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06/10/2016 - Números do Enem mostram desempenho ruim das escolas públicas. Das 100 mais bem colocadas, apenas três não são particulares. De acordo com especialistas, desigualdade social entre os alunos explica as grandes diferenças no resultado do exame

Ana Paula Lisboa
Jéssica Gotlib
Julia Chaib

Os resultados do Exame Nacional do Ensino Médio 2015 por escola mostram que a maioria das instituições de ensino públicas está abaixo da média nacional. Segundo o ranking, organizado ontem com base nas informações do Ministério da Educação (MEC), 97 das 100 melhores escolas, que obtiveram maior pontuação nas provas objetivas, são particulares. Na avaliação de especialistas, o índice não é suficiente para mostrar quais são as melhores e piores instituições de ensino do país, mas outros recortes trazidos pelos dados demonstram que a desigualdade social entre alunos é um fator importante e se reflete no desempenho nas provas.

De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), as notas em matemática, linguagens e tecnologia na última edição foram inferiores em relação a 2014. As notas melhoraram, porém em ciências humanas e redação, cuja média passou de 491 para 543, sendo o máximo 580. Tomando como base as notas da prova objetiva e da redação por escola, a pontuação média das escolas brasileiras no Enem de 2015 foi de 525 pontos. Entre os colégios públicos, o número ponderado nacional é de 492 pontos; na rede particular, o valor é de 570 pontos.

Os arquivos reúnem as notas de 1.212.908 estudantes de 14.998 escolas do país que prestaram o exame no ano passado. Para participar do ranking, metade dos alunos da escola têm que ter feito a prova e o colégio deve ter ao menos 10 alunos. O número de alunos varia muito. Entre as 100 melhores escolas, por exemplo, pelo menos 40% têm até 60 alunos.

O relatório apresentou ainda dados por Indicador de Nível Socioeconômico (Inse), calculado a partir da escolaridade dos pais, da posse de bens e da contratação de serviços pela família dos alunos, com o objetivo de situar o público atendido pela escola em um estrato ou nível social de acordo com um padrão de vida. Os colégios com maior taxa de participação no Enem têm Inse médio-alto (25,5%) e alto (22,5%). Em seguida, estão as instituições com indicador médio (19,6%), muito alto (17,3%), médio-baixo (10,1%) e baixo (4,6%). As escolas com Inse muito baixo representam apenas 0,4% do total.

A melhor do país é o Objetivo Colégio Integrado, de São Paulo, que tem 42 alunos e atingiu a média de 742,96 pontos. O Inep considerou também o porte das escolas: 28% eram muito pequenas (até 30 alunos), 26% eram pequenas (de 31 a 60 estudantes), 15% médias (61 a 90) e 31% grandes (mais de 91). As médias escolares foram de 541, 532, 521 e 509 pontos, respectivamente. Ou seja, quanto menor a instituição de ensino, maior a nota. Os resultados têm contextos que precisam ser considerados. O desempenho do aluno sozinho não pode servir como diagnóstico da escola, ponderou a presidente do Inep, Maria Inês Fini.

Durante a apresentação dos dados, a secretária-executiva do MEC, Maria Helena Guimarães de Castro, ressaltou a diferença que há entre os alunos. Do grupo socioeconômico muito alto para o grupo médio, há uma diferença de 100 pontos. É uma diferença absurda. Isso revela a enorme desigualdade do ensino médio brasileiro, diz.

Gerente de Conteúdo do Movimento Todos pela Educação, Ricardo Falzetta ressalta que o Enem traz recortes e que não é possível se condenar escolas eventualmente mal classificadas pelo ranking. Não dá para comparar uma escola que está no topo e atende a 40 alunos com nível alto com outra, pública, que atende 200 alunos com nível mais baixo. A realidade é que a gente vive num país desigual. A diferença não se explica pela qualidade das escolas, mas pela disparidade dos níveis socioeconômicos, disse. Falzetta também lembra que a grande parte dos alunos acaba não fazendo o Enem. Estamos falando de 40% das escolas. As outras 60% não foram consideradas, ponderou.

As melhores do país
Colégio de Minas Gerais obteve a melhor média entre as escolas públicas. Entre as particulares, a melhor está em São Paulo. Confira a classificação.

Públicas
Colocação Unidade UF Rede Média
1 Colégio de Aplicação da UFV (Coluni) MG Federal 722
2 Colégio Politécnico da Universidade Federal de Santa Maria RS Federal 716
3 Colégio de Aplicação do CE da Ufpe PE Federal 713
4 CPII – Campus Niterói RJ Federal 673
5 Escola de Aplicação do Recife – FCAP/ UPE PE Estadual 673
6 CPII – Campus Centro RJ Federal 673
7 Colégio Militar de Belo Horizonte MG Federal 669
8 Instituto de Aplicação Fernando Rodrigues da Silveira CAP-UERJ RJ Estadual 668
9 São Paulo ETEC de SP SP Estadual 668
10 Ceem Tiradentes RS Estadual 667

Particulares
Colocação Unidade UF Média
1 Objetivo Colégio Integrado SP 764
2 Ari de Sá Cavalcante Sede Mário Mamede CE 755
3 Instituto Dom Barreto PI 754
4 Christus Colégio Pré Universitário CE 751
5 Ari de Sá Cavalcante Colégio Major Facundo CE 750
6 Colégio Bernoulli – Unidade Lourdes MG 749
7 Etapa III Colégio SP 746
8 Colégio Bionatus II MS 738
9 Antares Colégio Pré Vestibular CE 734
10 Colegium MG 734

A diferença não se explica pela qualidade das escolas, mas pela disparidade dos níveis socioeconômicos

Ricardo Falzetta, gerente de Conteúdo do Movimento Todos pela Educação

Aumenta número e cursos de ós-graduação
O número de cursos de pós-graduação no Brasil subiu de 4,3 mil para 5,6 mil entre 2010 e 2014, de acordo com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). As perspectivas para a pós-graduação no Brasil foram tema de seminário na sede da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) ontem. O aumento de concluintes de graduação elevou a procura por mestrado e doutorado. O número de matrículas nesses cursos registrou um aumento de 30%. Com a participação do presidente da Capes, Abílio Baeta Neves, e do diretor-presidente da ABMES, Janguiê Diniz, o encontro discutiu as metas do Plano Nacional de Educação (PNE). Uma delas é a ampliação das matrículas em pós-graduação stricto sensu com o objetivo de alcançar a titulação anual de 60 mil mestres e 25 mil doutores. As propostas de novos cursos e a avaliação dos cursos de mestrado e doutorado ofertados também foram analisadas.

Fonte: Correio Braziliense/ DF

fonte secundária: Portal www.cmconsultoria.com.br

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