Artigos

Ensino Médio não atrai interesse dos jovens brasileiros 

Ensino-Medio-nao-atrai-interesse-dos-jovens-brasileiros-20161106164114.jpg
 

04/11/2016 - Patricia Tressoldi |

Dentro da onda de ocupações em escolas públicas motivada pela polêmica da reforma do Ensino Médio no Brasil, a Confederação Nacional dos Transportes (CNT) divulgou uma pesquisa que revela que mais da metade dos entrevistados não consideram o Ensino Médio interessante para os jovens. Num universo de 2.002 entrevistados, em 137 municípios e 25 estados em cinco regiões do Brasil, 61,4% avaliaram que o Ensino Médio não é atraente e não está adequado à realidade da juventude. A pesquisa foi realizada na segunda quinzena de outubro. Conforme o levantamento, o público entende que a grade curricular precisa ser revista e que o ensino técnico profissionalizante é uma das alternativas viáveis para o país.

Este levantamento sai num momento importante, em que o governo federal apresenta uma reforma que pretende reestruturar e flexibilizar o Ensino Médio, por meio da Medida Provisória 746/2016. A ideia é que o Ensino Médio tenha, agora, ao longo de três anos, 50% da carga horário de conteúdo obrigatório definido pela Base Nacional Comum Curricular, ainda em discussão. Os outros 50% seriam definidos a partir do interesse do próprio estudante e das particularidades regionais onde está inserido.

Para o presidente do Sinepe-PR (Sindicato das Escolas Particulares do Paraná), Jacir Venturi, a aprovação da Medida Provisória vai flexibilizar o Ensino Médio. O atual Ensino Médio brasileiro, de formato único no mundo, representa a maior mazela da educação brasileira. É uma jabuticaba vencida que empurramos goela abaixo de nossos adolescentes, argumenta. Entre os benefícios da MP, Venturi destaca a ampliação de escolas com jornada de 7 horas diárias e o direito de escolha do jovem, de acordo com suas habilidades ou preferências.

Já o professor de história do Curso Positivo, Daniel Medeiros, acredita que a MP vai empobrecer o Ensino Médio. Perde-se, antes de conhecer, a chance de tantas descobertas; elimina-se, pela raiz, talentos e criações, afirma. Medeiros, que é especialista em Filosofia Contemporânea, mestre e doutor em Educação Histórica, também não acredita que a Medida vai ampliar o interesse dos alunos pela escola e diminuir a evasão. 

A evasão não ocorre pelo excesso de disciplinas. A evasão é pela falta de significado dos conhecimentos produzidos pela escola, pela falta de envolvimento dos que deveriam ser seus protagonistas, pela falta de cumplicidade com o conhecimento que nos torna, a todos, mais humanos, reflete.
Para o diretor editorial da Editora Positivo, Joseph Razouk Jr., especialista em Metodologia e Administração do Ensino Superior e Metrando em Ciência da Educação, a maior insatisfação está vindo pelo fato de ter ocorrido uma medida provisória sem perguntar à população de docentes e alunos a sua opinião. O especialista, que trabalha com uma gama de sistemas voltados ao Ensino Fundamental e Médio, desenvolvidos pela Editora Positivo, observa que, na verdade, o governo atual apenas formalizou (ainda que seja por Medida Provisória) uma discussão que já ocorria há anos, em outros governos. A insatisfação de governantes que antecederam os atuais já era grande. Todos sabem que o Ensino Médio precisa mudar. Isso já é uma fala antiga de professores, por todo o Brasil. Mas o fato de receberem o pacote pronto, tornou-se um problema.

Segundo ele, a mudança é necessária. É preciso estudar a medida e verificar que há ainda muita desinformação acerca do que ela traz. O Ensino Médio não vai ficar mais sem sentido do que já é. Os alunos encontram dificuldades pela ausência de significado em suas vidas e também depois do término do Ensino Médio (quando isso ocorre), quando percebem que o utilizam pouco, que ele pouco ajuda na entrada do Ensino Superior, destaca. Para o educador, é preciso investir em diálogo, uma vez que a falta de abertura às mudanças é fruto da desinformação.

Fonte: massanews.com

Fonte secundária: CM Consultoria