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Fábrica de aplicativos 

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06/07/2016 - Professor da Unicamp traduz ferramenta americana muito utilizada no ensino de programação. Objetivo é estimular a adoção da plataforma nas escolas de ensino básico brasileiras
 

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Publicação: 04/07/2016 04:00
O desenvolvimento de aplicativos e programas de computador ainda é visto por muita gente como uma atividade complexa, que apenas técnicos extremamente especializados podem realizar. Porém, iniciativas que buscam deixar a programação mais simples surgem para impulsionar novos projetos na área e ampliar o número de pessoas que se arriscam a inovar no mundo da informática.

Uma das ferramentas fundamentais a esse processo é o MIT App Inventor, plataforma criada pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts que, agora, se torna ainda mais acessível aos brasileiros, graças à sua tradução completa para o português pelo professor Eduardo Valle, da Universidade Estatual de Campinas (Unicamp), em São Paulo.

O programa de criar aplicativos funciona como uma linha de montagem, na qual diferentes módulos devem ser preenchidos pelo usuário. Depois de completadas todas essas etapas, o aplicativo está pronto para rodar em qualque r sistema Android.

Segundo o desenvolvedor de softwares João Paulo Apolinário, tudo é muito intuitivo, e o usuário ainda conta com diversos vídeos no YouTube que ensinam como utilizar a plataforma do MIT. Há módulos pré-prontos que você pode alocar da forma que quiser. Você também pode criar seus próprios módulos ou usar alguns dos criados por outros usuários, pois ela também é colaborativa. Com tutoriais básicos, qualquer um pode sair fazendo, garante o especialista.

Devido à sua simplicidade, o App Inventor é muito utilizado em aulas de ensino fundamental e médio, principalmente nos Estados Unidos. Ele é usado principalmente para ensinar as bases da lógica e da programação para os estudantes criarem aplicativos mesmo sem trabalhar com códigos efetivamente. Ele permite que vo cê use o conceito sem necessariamente passar pela curva de aprendizado ou pelos pormenores da programação, explica Apolinário.

Barreira superada

Tornar o uso do programa mais acessível aos estudantes brasileiros do ensino básico foi a principal motivação de Eduardo Valle para criar uma versão em português. Tudo começou com um projeto desenvolvido pela Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (Feec) e pelo Instituto de Computação (IC) da Unicamp para despertar o interesse das meninas pela programação. Nós levávamos para as escolas públicas aulas de programação. E usávamos o App inventor para ensinar essas crianças, conta o professor.

A iniciativa claramente despertava o interesse das alunas, mas o fato de a plataforma ser em inglês intimidava algumas delas. Foi quando surgiu a ideia da tradução. Durante o recesso iniciado no fim do ano passado, Valle contatou o MIT, que aprovou a ideia. Em uma semana eu traduzi o programa. Parece algo simples, mas faz muita diferença para o aprendizado das pessoas, completa.

Com a ferramenta adaptada para o português, os professores e alunos de iniciação científica envolvidos já sonham mais alto e planejam ampliar o projeto para outras escolas do país. Para isso, querem criar o que batizaram de Mapa da Revolução.

Nós estamos desenvolvendo uma matriz de ação em que ficarão claras todas as necessidades que uma escola precisa atender para pôr em prática o ensino de programação. Nela, estarão expressas os conteúdos e as formas pedagógicas adequadas para passar o conhecimento para os alunos, explica Valle.

Ampliação

Nada impedirá, portanto, que a iniciativa ultrapasse as fronteiras de Campinas nem precise se restringir às meninas, público-alvo da primeira fase do projeto. Na avaliação do professor, o Brasil ainda precisa caminhar muito no ensino da computação, mas pode avançar mesmo com a falta de recursos.

A escola pública mais pobre nos Estados Unidos tem mais recursos que uma escola pública brasileira comum, mas esse não é obstáculo intransponível. Nossa ideia é propor uma melhor utilização dos recursos disponíveis. Alguns exemplos disso seriam a utilização de um computador por até três alunos e a recuperação de máquinas doadas, diz Valle, citando alguns exemplos das diretrizes que estão sendo elaboradas na Unicamp.

Outro ponto destacado por ele é a carência de profissionais ou pessoas interessadas em transmitir esse conhecimento aos alunos. Não é necessário que esse conteúdo seja dado por um especialista em computação. Qualquer professor da escola ou da comunidade poderá dar aulas de programação, pois a nossa intenção é simplificar ao máximo o aprendizado e a pedagogia necessárias, explica. Não queremos que a computação se torne um monstro temido como outras matérias da área de exatas . Queremos que ela sirva como meio de desenvolver a criatividade e a expressão.

Nós estamos desenvolvendo uma matriz de ação em que ficarão claras todas as necessidades que uma escola precisa atender para pôr em prática o ensino de programação. Nela, estarão expressos os conteúdos e as formas pedagógicas adequadas para passar o conhecimento para os alunos
Eduardo Valle, pesquisador da Unicamp

Fonte: Correio Braziliense/ DF

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