Artigos

Faculdades oferecem financiamento próprio


.
 
29/06/2015 - Opções vão desde bolsas de estudo até o parcelamento das mensalidades

Ana Paula Rosa

Após a baixa no Fies (Fundo de Financiamento Estudantil), causada pelo corte no investimento realizado pela presidente Dilma Rousseff (PT) no início do ano, faculdades particulares de Limeira passaram a oferecer benefícios para não perder alunos. A oferta varia entre parcelamentos, bolsas de desconto e até mesmo financiamentos, com o pagamento das mensalidade somente após a formatura. Os benefícios são para estudantes que ficaram sem o Fies.

O Jornal de Limeira ouviu quatro universidades particulares e todas revelaram estar na expectativa de que os alunos consigam o Fies no segundo semestre deste ano. Enquanto isso não acontece, as instituições continuam concedendo benefícios - como no caso da FAAL (Faculdade de Administração e Artes de Limeira), que ofereceu aos alunos a opção de pagar parcelas após a formatura.

Segundo o diretor da FAAL, Reinaldo Fernandes, quanto aos alunos que concretizaram as inscrições, no 1º semestre de 2014, foram 162 alunos benificiados e no 1º semestre de 2015, 69 estudantes. "Para reverter isso, investimos em propostas, pois nossa faculdade passou por ampliação recente para receber mais alunos. Enquanto os estudantes não conseguem o Fies, iremos postergar as parcelas para depois da formatura", diz. Ele também cita uma perda de 15% de alunos interessados antes da inscrição.

Já nas Faculdades Integradas Einstein, as propostas são de parcelamento, bolsas de estudo e descontos na parcela. Segundo a coordenadora do Fies na Einstein, Paula Olivério, cada caso foi estudado para avaliar o benefício.

Ela afirma que ele foi dado a 140 alunos que não conseguiram o financiamento estudantil neste ano. "Mesmo assim, houve desistência de cerca de 10% dos alunos. Mas nós tivemos a proposta de dar benefícios a todos", fala. Na faculdade, no ano passado, eram 500 alunos com Fies e 150 alunos novos ingressaram neste ano. O objetivo, entretanto, era chegar a quase 300.

Já no Isca Faculdades, o Fies também causou transtornos. Segundo a diretora Márcia Moss Júlio, 70% dos candidatos que tinham interesse em fazer o financiamento este ano não conseguiram finalizá-lo. "Em 2015, 16% dos nossos alunos fizeram Fies, porém, esta porcentagem seria maior se não houvesse o problema com as inscrições", diz. O Isca não revelou número de alunos que ingressaram com o Fies neste ano, nem no ano passado. A instituição também não citou a perda percentual de alunos por conta dos cortes no financiamento. Segundo a coordenadora do curso de Engenharia Ambiental, Luciana Savoi, para reverter o quadro, o Isca ofereceu atendimento individual a cada aluno para que fosse feita a melhor proposta.

PARCELAMENTO
Outra faculdade que também ofereceu benefícios diante da baixa do Fies foi a Anhanguera Educacional. Segundo a Assessoria de Imprensa da entidade, diante das novas regras para o Fies no primeiro semestre de 2015, a Anhanguera buscou alternativas para viabilizar a continuidade dos estudos dos alunos.

Ainda segundo a assessoria, uma delas é o PEP (Parcelamento Especial Privado), que não exige pagamento integral da mensalidade. O PEP é vigente por um ano, período em que o aluno pagará somente 10% do valor da mensalidade por mês e o saldo devedor é parcelado sem juros. Já quanto à perda de estudantes e de alunos que ingressaram no Fies no primeiro semestre de 2014 e 2015, a faculdade afirmou que não repassa os números.

Taxa de juros do Financiamento Estudantil quase dobra no segundo semestre
O ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, anunciou na sexta-feira (dia 26) que a segunda edição do Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) 2015 vai ofertar 61,5 mil novas vagas. Os juros dos novos financiamentos serão reajustados para 6,5% ao ano. Atualmente, a taxa de juros é 3,4%. O edital com datas e detalhes sobre a inscrição deve ser divulgado no dia 3 de julho.

A oferta de vagas vai priorizar os cursos com notas 4 e 5 nas avaliações do MEC (Ministério da Educação). As notas vão até 5. "Assim se garante que os estudantes estarão pagando e o País financiando cursos que serão melhores para sua formação", disse Janine, em vídeo postado no Facebook.

Também terão prioridade os cursos das áreas de engenharia e saúde, e a formação de professores. As vagas serão destinadas principalmente às regiões Norte, Nordeste e Cento-Oeste, excluído o Distrito Federal. "O objetivo é melhorar a qualidade dos cursos ofertados e focar nas prioridades da sociedade brasileira. Isso não quer dizer que cursos de outras regiões, de outras áreas de formação e de nota 3 não serão apoiados", explicou o ministro.

Ao falar sobre o reajuste dos juros, Janine disse que a taxa de 6,5% está mais alinhada com a inflação do último ano. Segundo ele, o governo fez um esforço especial para abrir as novas vagas em um ano de contenção orçamentária. Ele lembrou que as vagas ofertadas no segundo semestre vão se somar às 252,5 mil disponibilizadas no primeiro semestre, totalizando 314 mil vagas do Fies em 2015. (Agência Brasil)
Fonte: jlmais.com