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21/09/2015 - Softwares de código aberto são muito mais do que aplicativos gratuitos. Além de funcionalidades iguais às dos programas proprietários, oferecem segurança e possibilidade de personalização

Em uma era em que a vida do ser humano depende cada vez mais da tecnologia, é importante tomar cuidados fundamentais. Garantias de segurança e a liberdade de poder escolher, entender e alterar aquilo que se usa são apenas alguns dos motivos que levam usuários a substituírem programas proprietários por aplicativos e sistemas operacionais de código aberto. Os chamados softwares livres são cada vez mais comuns em empresas e oferecem ao usuário final mais segurança a um custo-benefício praticamente imbatível.

O desenvolvedor Anísio Neto, 27 anos, utiliza softwares livres há mais ou menos 10 anos e conta que se interessou por esse tipo de tecnologia porque queria aprender linguagens novas. “Com os programas livres, o usuário tem acesso ao código e consegue ver tudo o que acontece. No caso dos soft-wares proprietários, a gente simplesmente os usa”, explica. Anísio utiliza os programas diariamente, tanto no trabalho quanto em casa. “Acho muito mais produtivo e útil. Além de não ter custo, é possível ver o código por baixo, fazer alterações, melhorias”, completa.

Segundo Nathaniel Simch, mestre em computação aplicada pela Universidade de Brasília (UnB), para que um software seja considerado livre, ele precisa estar habilitado sob uma licença livre. “Uma das grandes características que envolve esse software é o desenvolvimento comunitário. Enquanto empresas têm uma quantidade limitada de funcionários para desenvolver seus programas, um software livre, normalmente, possui seu código fonte disponibilizado em algum local na internet, permitindo que qualquer pessoa possa colaborar com correções e implementação de novas funções.”

O conceito de software proprietário é mais simples ainda. Adquiridos de forma gratuita ou por meio da compra de licenças mensais ou anuais, esse tipo de programa não permite o acesso de usuários ao seu código fonte e é protegido pelo Corpyright, um conjunto de normas e informações que diz o que você pode ou não fazer com ele.

Seguros e atualizados
Nathaniel ressalta que, quando comparadas aos soft-wares fechados, as soluções livres oferecem maior conhecimento, segurança e quebram possíveis dependências a um único fornecedor. “Em um primeiro momento, somos levados a crer que o benefício maior é o financeiro. Quando precisamos de um software para uma finalidade específica, é quase certo encontrarmos um livre disponibilizado para download”, relata.

O mestre em computação aplicada diz ainda que, quando um desenvolvedor permite que o usuário explore o código-fonte de um de seus aplicativos, ele está oferecendo uma garantia de que o programa não efetua nenhuma rotina desconhecida. “Dessa forma, podemos ter a certeza de que ele não coleta dados pessoais do usuário e os envia para uma localização em que terceiros farão o que quiserem com essas informações”, detalha.

Outro benefício envolve as precauções tomadas com relação ao desenvolvimento e as constantes atualizações. “Imagine que você adquiriu a licença de um software e está ganhando muito dinheiro com ele. Agora, imagine que a empresa que o desenvolve faliu. Não vai mais desenvolver atualizações e sua plataforma, em pouco tempo, estará desatualizada. Suas opções serão adquirir outro software e gastar dinheiro com licenças e treinamento ou encontrar um livre que permita que você trabalhe, ganhe dinheiro e ainda possa melhorá-lo para atender a alguma necessidade específica”, exemplifica.

Entenda

Sabe aqueles termos de uso gigantescos que você nunca lê e sempre assinala a caixinha “Eu li e concordo com os termos de uso”? Aquilo é o que chamamos de Copyright. Por não ler o contrato, porém, muitas pessoas acabam por ferir alguns dos termos estipulados pela proteção. “Um exemplo clássico que é encontrado em muitas empresas é o uso de antivírus gratuitos, em que, em seu contrato, se prevê que o mesmo possa ser executado gratuitamente somente para uso doméstico”, comenta Nathaniel Simch.

Os mais conhecidos

Programas de código aberto oferecem funcionalidades tão boas quanto aplicativos desenvolvidos 
por empresas proprietárias. Confira alguns dos softwares livres mais utilizados ao redor do mundo:

Sistemas operacionais

É impossível falar de softwares livres sem mencionar o Linux , um dos programas de código aberto mais utilizados e conhecidos. Totalmente gratuito, o sistema libera a utilização de sua linguagem básica para estudo, modificação e adaptação. O Android, sistemas operacional para dispositivos móveis desenvolvido pela Google, utiliza uma versão especial do Linux como parte de sua composição. Apesar de ter começado como um software proprietário, o sistema operacional Open Solaris foi disponibilizando, aos poucos, seu código 

fonte e também pode ser considerado livre.

Se você costuma baixar e assistir a vídeos pelo computador, já deve ter usado um programa chamado VLC Media Player (foto). Um dos poucos reprodutores capazes de tocar praticamente todos os formatos de áudio e vídeo, o aplicativo é gratuito, rápido e extremamente simples.

Pacotes Office

O LibreOffice e o OpenOffice são suítes de aplicativos que têm editores de textos, planilhas, apresentações e imagens e podem ser utilizados como alternativas gratuitas a programas proprietários como o Microsoft Office, da Windows.

Navegadores de internet

Por oferecer a disponibilidade de criar extensões personalizáveis e submeter a equipe de desenvolvedores a atualizações de segurança, o navegador Mozilla Firefox também é caracterizado como um software livre. Para usuários mais exigentes, possibilita total acesso e modificação do código fonte.

Pensado como uma alternativa para o Adobe Photoshop, o GIMP, GNU Image Manipulation Program, foi um dos primeiros programas de código aberto criado para usuários finais. O programa, que roda em qualquer sistema operacional, permite a criação e a alteração de imagens. Com relação a edição de vídeos, o Pitivi é um dos mais lembrados. Por um tempo, o software foi o programa padrão de edição do Linux.
Fonte: Correio Braziliense / DF