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Mais de 2 milhões de candidatos do Enem têm redação fraca

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Terça-feira, 12/01/2016, às 06:00, por Andrea Ramal

  A primeira análise das notas das redações melhora. Afinal, agora já não temos meio milhão de notas zero, e sim apenas pouco mais de 50 mil.

No entanto, basta fazer uma análise dos números consolidados para ver que a situação do ensino médio não é nem um pouco animadora. Afinal, 38% dos participantes, ou seja, 2.212.460 candidatos atingiram apenas uma nota até 500 pontos, padrão considerado fraco por qualquer estudante ou escola que se preze.

A prova de redação do Enem continua evidenciando diversas inconsistências de nosso sistema educacional. Primeiro, porque avalia o raciocínio lógico e a habilidade para encadear ideias com coesão e coerência. Isso exige certo traquejo no uso da linguagem, que não se consegue com fórmulas que treinam o aluno para escrever no modelinho dissertativo-argumentativo. É preciso apresentar dados e exemplos, fazer comparações, ter bagagem cultural.

Além disso, a prova de redação pede que o candidato apresente uma proposta de mudança social frente à questão que analisou em seu texto. Deste modo, mede-se a visão global, a postura cidadã, a capacidade de pensar de forma alternativa, elaborando soluções com criatividade e respeito pela coletividade. Chega-se a isso com muita leitura, capacidade de interpretação de textos, reflexão crítica.

Por fim, o Enem também exige domínio do padrão formal da língua portuguesa. Ora, isso não se aprende decorando regras gramaticais, mas sobretudo lendo bons textos, tendo contato diário com o modo como a língua é usada por aqueles que tratam dela com zelo e inteligência. 

Os mais de dois milhões de notas fracas na redação do Enem são a prova de que ainda estamos longe de uma escola que, em vez de só ensinar conteúdos, ensine a refletir e argumentar, na qual se aprenda a escrever, interpretar e pensar fora da caixa.

Fonte e créditos: http://g1.globo.com/educacao/blog/andrea

Imagem: G1.globo.com