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Mudanças no Fies podem impactar no índice de evasão no Ensino Superior

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02/07/2015 - Especialistas debateram o assunto no Seminário Evasão no Ensino Superior Brasileiro promovido pela Universia

Fonte: Shutterstock

Especialistas da área educacional que participaram do Seminário Evasão no Ensino Superior Brasileiro, promovido pela Universia Brasil, acreditam que as recentes mudanças feitas pelo governo federal no Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) poderão impactar na taxa de evasão dos alunos.

No último 26 de junho, o ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, anunciou que o Fies irá abrir 61.5 mil novos contratos no segundo semestre desse ano, totalizando 314 mil vagas de financiamento em 2015. Além disso, haverá um reajuste nos juros de 3,4% para 6,5%.

O professor Oscar Hipólito, reitor da Univer sidade Anhembi Morumbi, explicou que as alterações podem permitir que mais estudantes abandonem as instituições, pois eles ficarão sem recursos para se sustentar. “A pessoa que contava com o financiamento perde muito com essas mudanças”, disse.

Para Hipólito, o Fies é extremamente importante para construir uma pátria educadora: “um país que não tem formação sólida no Ensino Superior não evolui por inteiro”.

Com as mudanças, existe uma demanda reprimida de alunos que precisam do financiamento, mas não têm. Segundo o analista do Setor Educacional do Banco Santander, Bruno Girardino, esta é 
uma grande oportunidade para o desenvolvimento do financiamento privado. “Essa é a hora das instituições privadas experimentarem atender aos estudantes que não conseguiram o Fies”.

No entanto, o superintendente do Santander Universidades, Daniel Mitraud, explicou que é um desafio para os bancos entrarem no negócio de crédito estudantil. “Será que as instituições financeiras estão preparadas para isso?”, questionou ele.

De acordo com Mitraud, essas são algumas das barreiras que dificultam a iniciativa:

1. Não existir nenhum benchmarking no mundo de sucesso absoluto na área;

2. O exercício de cobrar alunos inadimplentes por crédito estudantil pode criar um problema sério de imagem para o setor financeiro;

3. Os bancos terão que desenvolver um sistema específico para o produto, o que requer investimento. Apesar dos obstáculos, ele garantiu que “o banco Santander avalia soluções de crédito estudantil a partir de 2016”.
Fonte: Universia Brasil