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Por onde andam nossos doutores? 

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12/07/2016 - Durante a 68ª reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada na última semana, o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), apresentou um excelente relatório sobre a situação dos mestres e doutores no país, considerando os titulados no período compreendido entre 1996 e 2014.

Hoje, temos aproximadamente 170 mil doutores e 500 mil mestres no país. Considerado o número de títulos de doutorado concedidos, contamos atualmente 8,3 doutores por 100 mil habitantes. Enquanto isso, em paises muito menores, como a Eslovênia e a Coréia do Sul estes indices são respectivamente, 56,7 e 25.

Numa comparação com a situação de 27 dos 34 países-membro da OCDE, como os acima mencionados, estamos posicionados num modesto 26º lugar, apenas na frente de México e Chile.

Mas os avanços foram expressivos, se levarmos em conta a juventude de nossa pós-graduação, a nossa dimensão territorial e a grande diversidade regional, que, logicamente, tornaram muito mais difícil a construção desse sistema, tão pujante.

Além disso, na OCDE, os problemas da educação básica já foram em grande parte resolvidos e há mais facilidade para o financiamento à pesquisa e à inovação.

Entretanto, embora o esforço nacional deva ser reconhecido, ainda há um grande percurso a trilhar, na medida em que parte significativa desses mestres e doutores continua a trabalhar na universidade, ou nos institutos de ciência e tecnologia, com baixos índices de migração para indústria.

É reconhecido que o aumento de competitividade de nossas empresas dependerá em grande parte de sua capacidade em inovar. Dados levantados em 2010 já mostravam que mais de 67% dos cientistas brasileiros estavam nas universidades, contra apenas 25% nas empresas privadas.

O último relatório do CGEE sinaliza para uma leve, mas positiva, mudança no panorama, uma vez que a taxa de contratados pelas empresas cresceu em torno de 10%. Estas ainda apresentam uma pequena capacidade de desenvolver tecnologias e de inovar e, dessa forma, será muito importante gerar estímulos para a contratação de pós-graduados pelo setor produtivo e incrementar as relações universidade-empresa. Para tanto, devemos inicialmente desfazer a ilusão de que as inovações devem sempre estar associadas às patentes.

Igualmente importante será entender que a inovação tecnológica pode muitas v ezes surgir do uso adequado de meios já disponíveis e de domínio público, sem que sejam necessários avanços da ciência. Uma ideia ainda muito comum em nosso país é a de ver a universidade como a geradora de inovações, que é, muito mais, um papel da empresa. Também contribuem para o aumento das dificuldades as diferentes interpretações, muitas vezes contraditórias, das óticas da universidade e da empresa, em especial no que concerne á propriedade intelectual.

Além disso, os universos das universidades e das empresas são bastante diferentes, na medida em que as primeiras convivem com resultados acadêmicos e têm por meta a publicação de trabalhos, enquanto que as últimas são obrigadas a cumprir prazos para assegurar a sua participação competitiva nos mercados.

Uma boa solução é abrir espaço nas universidades para que as indústrias apresentem seus problemas, que poderão se transformar em dissertações, teses e trabalhos de conclusão de cursos.

Devem ainda ser estimulados mais programas de mestrado profissional, desde que dirigidos efetivamente para necessidades do setor produtivo. As incubadoras e os parques tecnológicos podem ser excelentes instrumentos para a melhor articulação universidade-empresa.

O caminho do incremento da competitividade é longo e espinhoso, mas, considerando nossos avanços nos últimos 18 anos, é justo pensar que seremos bem sucedidos.

Fonte: noblat.oglobo.globo.com

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