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Protejam as crianças

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Por Daniel Schnaider

 

Talvez a atitude mais arcaica e desprezível na sociedade Brasileira é a “repetição de ano” de crianças.   

 

Como alguém pode se chamar ou ser referido como “educador” e ao mesmo tempo exercer uma brutalidade, nada menos, de tirar uma criança feliz de uma relacionamento social que está sendo construído a anos, abrir uma ferida que pode levar mais que uma década para cicatrizar, para repetir aquela série novamente, com a ignorante justificativa que ele “falhou” em uma ou mais matérias.  

 

Quero deixar bem claro. Crianças não falham. Crianças são puras, inteligentes, criativas, especiais e tem várias habilidades que devem ser desenvolvidas. Já adultos falham. Sistemas criados por adultos falham. Eles falham principalmente em não saber protegê-las, despertar interesses, identificar o que inibe o seu potencial e criar o ambiente para excelência. As crianças não o podem fazer, é nossa obrigação e não delas.

 

Conheço pessoalmente o caso de vários adultos que quando criança repetiram de ano. Em um desses casos, o menino repetiu a terceira série. Era fraco em todas as matérias, menos ciências, mas repetiu em português. “Não parava quieto” mas não era e nunca foi violento.

 

Amava seus amigos e a escola, até mesmo os professores. Mas, simplesmente, não prestava atenção em nada, nunca fazia deveres de casa, e de fato atrapalhava as classes e tirava péssimas notas.

 

Que solução para todos esses problemas poderia ser “mais lógica” do que repetir este aluno de ano!

 

Este aluno teve ainda muita dificuldade na sua segunda terceira série, mas já em um novo colégio teve um avanço na quarta, e mais um passo na quinta. Mas foi na sexta e sétima série que nunca a fez que as coisas começaram a mudar.

 

O aluno se mudou com sua mãe para um pais Europeu, com um sistema de educação anos luz mais avançado do que o sistema Brasileiro. Exames de inteligência que fizerem no aluno que sofria dificuldades por não falar a língua local determinaram que não há nenhuma razão para manter a decisão da repetição. O aluno agora com 13 anos de idade saltou 2 séries de uma vez.

 

Mesmo assim, com muitas dificuldades, sem conhecer o idioma a cultura, sem ter os amigos próximos e com um gap de anos em ensino, o colégio tinha as condições para o desenvolvimento do aluno.

 

Professores capazes, sensíveis, inteligentes, com um senso de missão se empenharam para ajudar o aluno. Educadores que trabalham com os pais para que tenha o ambiente necessário em casa para que este queira e possa se desenvolver. Um sistema que não repete alunos, mas divide as diferentes matérias em níveis, podendo o aluno escolher em que nível vai estudar história, inglês, matemática entre outras matérias. Seja esse o nível fácil, intermediário ou desafiador. O aluno podia se desenvolver nas áreas que mais gostava, ou que lhe eram convenientes por suas habilidades. Quando se sentia pronto podia subir de nível. Já cedo, tinha que desenvolver responsabilidade e decidir sobre as matérias que iria estudar com profundidade. O sistema permitia criar círculos de amizades diferentes porque seus amigos eram diferentes para as diferentes matérias.

 

Aos 14 anos o aluno “deficiente” e “limitado” já tinha desenvolvido um dos primeiros sites de comércio eletrônico na internet, tecnologias de fax sobre IP e tecnologia para escritórios inteligentes, aos 16 dava aula particular para estudantes de ciências da computação em uma das melhores universidades do ramo, no segundo grau já era um dos melhores alunos com apoio de seus amigos, professores, e familiares, aos 18 anos ele competiu em um processo seletivo com 150.000 jovens de sua idade e saiu na frente de 99,9% deles.

 

Mais tarde estudou economia e administração em uma universidade especializada em auto didatas aonde estava entre os melhores alunos, com o pequeno detalhe que trabalhava em dois lugares em paralelo.

 

Tirou segundo lugar em um processo seletivo em uma das maiores empresas de tecnologia do mundo entre 5.000 candidatos, sendo o especialista mais jovem por sete anos, com o melhor desempenho durante todos os períodos. Já não dava mais classe para estudantes e sim aulas avançadas em engenharia de software para os professores.

 

Abriu sua empresa, e não consegue parar de estudar.

 

No Brasil, repetiram ele de ano, o tratavam com deboche e desprezo. Vocês pais tem a obrigação de proteger suas crianças, porque o sistema de educação Brasileiro não o fará por vocês. Chegou o momento de pensar em novos métodos de educar nossas crianças.
 
Méritos:
http://danielschnaider.blogspot.com.br/2015/12/protejam-as-criancas.html
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