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SESI desenvolve nova metodologia para educação de jovens e adultos 

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06/06/2017 - Nova EJA permitirá reduzir grade horária com base em conhecimentos prévios, tornar o currículo mais conectado à realidade profissional dos alunos e evitar o maior vilão da modalidade: a evasão, que chega a 90% na rede pública

O Serviço Social da Indústria (SESI) elaborou uma nova metodologia para a educação de jovens e adultos (EJA) que permitirá reduzir a grade horária com base no reconhecimento de conhecimentos prévios e com um currículo mais conectado à realidade profissional dos alunos. Com isso, a instituição pretende combater um dos grandes problemas da modalidade: a evasão escolar, que chega a 90% na rede pública. 

Isso ocorre porque os estudantes, geralmente, trabalham o dia todo e, ao chegar na escola, se deparam com um currículo com elevada carga horária e sem qualquer atratividade, destaca o diretor de operações do SESI, Marcos Tadeu de Siqueira. O SESI propõe um currículo inovador, flexível e com aulas semi-presenciais, em que se dá mais autonomia aos estudantes e se reduz o tempo de formação."

O método, aprovado pelo Conselho Nacional de Educação, tem entre as grandes inovações a identificação, validação e certificação das competências e habilidades desenvolvidas nas experiências de vida e trabalho dos alunos. O reconhecimento de saberes envolve uma série de procedimentos realizados com a participação de especialistas de cada área do conhecimento – linguagens e códigos; matemática; ciências humanas; e ciências da natureza. São realizadas avaliações, entrevistas e preenchimento de formulários para identificação de conhecimentos prévios. 

Outras novidades da Nova EJA são a construção de itinerários educativos conectados com a realidade profissional dos alunos e a oferta do ensino médio articulado à educação profissional, a chamada EJA Profissionalizante. O currículo da Nova EJA prevê 20% de aulas presenciais e 80% a distância e é voltado, principalmente, para os trabalhadores da indústria e seus dependentes. O projeto, realizado com o acompanhamento do Ministério da Educação (MEC) em regime de experiência pedagógica, já está em execução nos estados do Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Piauí e Rio de Janeiro.

FORMAÇÃO PROFISSIONAL – No fim de 2016, o SESI, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), implantou projeto piloto da EJA Profissionalizante em três estados – Bahia, Pará e Santa Catarina. Quando concluírem as etapas da educação básica e educação profissional, os 315 alunos receberão certificado de conclusão do ensino médio e do curso de qualificação profissional.

Na Bahia, 105 alunos, que têm entre 18 e 30 anos, participam do projeto. Eles iniciaram o ensino médio no SESI, sendo que os encontros presenciais são baseados em oficinas temáticas e aulas de robótica, por área de conhecimento. Para a qualificação profissional, os alunos poderão optar por uma das três ocupações ofertadas pelo SENAI à EJA: Montador e Reparador de Microcomputador; Instalador Hidráulico; e Eletricista e Instalador Residencial. 

Em Santa Catarina, o projeto é desenvolvido na unidade do SESI de São José, município localizado na Grande Florianópolis. Os 105 estudantes, que têm entre 25 e 30 anos, concluirão no início do segundo semestre qualificação profissional em uma das três áreas possíveis ofertadas à EJA no estado: Desenhista Mecânico; Eletricista e Instalador Residencial; e Mecânico de Refrigeração e Climatização Residencial.

Em Santa Catarina e na Bahia, a metodologia que considera oo reconhecimento de saberes proporcionou uma redução de 300 horas-aula, em média. Essa nova metodologia mudou a face da EJA, permitindo um aumento no nível de engajamento de estudantes e professores por meio tanto do reconhecimento de saberes quanto da construção de trilhas de aprendizagem personalizadas, destaca a coordenadora de Educação do SESI em Santa Catarina, Maria Tereza Cobra.

EXPANSÃO – O sucesso da iniciativa em Santa Catarina fez com que o SESI conseguisse autorização do Conselho Estadual de Educação para, a partir de agosto de 2017, expandir a oferta da nova metodologia aos 16 mil alunos da EJA da rede SESI no estado.

No Pará, a oferta da EJA Profissionalizante teve início em março de 2017 e conta com 105 alunos. Antes da aplicação do reconhecimento de saberes, o SESI no estado disponibilizou a todos um curso de inclusão digital.

A mudança na metodologia da EJA é considerada a mais inovadora desde que o programa de Educação para Jovens e Adultos foi criado, na década de 1940. A Nova EJA conta, inclusive, com reconhecimento internacional da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A metodologia vem ao encontro de uma demanda emergente da indústria de elevação da escolaridade, diz Marcos Tadeu de Siqueira. O Ministério da Educação também deve ter essa iniciativa como um norteador para estruturação de um nova política pública para EJA no Brasil", completa.

Para o próximo ano, o SESI pretende ampliar a oferta da Nova EJA e da EJA Profissionalizante a toda rede SESI nos 26 estados e no Distrito Federal.

Por Maria José Rodrigues
Foto: Arquivo/FIEAM
Da Agência CNI de Notícias

Fonte: Portal Agência de Notícias - CNI

Fonte secundária: CM Consultoria

Imagem: Google