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Sindicato diz que diminuição de estudantes matriculados ocorre desde 2015 e deve se repetir neste an

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22/02/2016 - JOÃO RENATO FARIA

A situação crítica da economia do país no último ano acendeu um alerta em um dos principais setores da educação: o do ensino superior. Apesar do número de matrículas ter crescido até 2014 – último ano com dados consolidados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) –, a percepção entre professores e faculdades privadas é que 2015 teve uma retração no número de alunos, o que tende a se repetir neste ano.

Não temos ainda os dados precisos, que só serão consolidados neste ano, mas, pelas nossas conversas com os diretores das instituições, 2015 trouxe um impacto para as faculdades particulares, que deverá inclusive ser pior ainda neste ano”, afirma Eniro Barbini, presidente do Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep-MG). “Os vestibulares tiveram menor procura, tanto que existem faculdades fazendo provas até hoje para tentar encher as turmas. Além disso, a restrição ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) pegou muita gente de surpresa, que teve que sair da universidade”, justifica.

Para ele, os principais atingidos foram os cursos noturnos, já que os alunos, normalmente, têm que trabalhar durante o dia. “É natural que ocorra essa redução de estudantes, já que a crise apertou os salários, e as pessoas precisam priorizar”, opina.

Foi o que aconteceu com a estudante de gestão de eventos, Débora Silva, 28. Como o salário que ela ganha como auxiliar administrativa não acompanhou o aumento tanto da mensalidade do seu curso quanto do aluguel do apartamento que mora, no bairro Santa Tereza, na região Leste de Belo Horizonte, ela teve que trancar sua matrícula.

O salário não acompanhou os aumentos, e ficou muito apertado para mim. Acabei com um dilema, estudar ou morar”, conta. Ela lamenta que o problema tenha sido logo no último período antes de se formar. “Tenho que avaliar, agora, como vou fazer para voltar. Não posso deixar de concluir o curso”, conta.

Alternativas. Os problemas financeiros ocasionados pela crise fizeram o reitor do centro universitário Estácio BH, Juciê Abreu, se mexer. Ele afirma que a falta de pagamento cresceu no último ano. “Em 2015, a inadimplência aumentou em torno de 8% em relação ao ano passado”, diz.

Para reduzir o problema, a faculdade criou novas opções de financiamento de suas mensalidades, como um seguro que garante o semestre, caso o aluno perca o emprego. E para tentar amenizar a queda de alunos, a faculdade aposta no ensino à distância. “Temos cerca de 8.000 alunos nessa modalidade. Esses cursos, mesmo com um preço mais acessível, têm diploma igual a um curso presencial e são reconhecidos pelo Ministério da Educação (MEC)”, explica.

Porém, para Abreu, todos esses esforços podem não ser suficientes. “São alternativas, mas vamos crescer bem menos que gostaríamos em 2016”, lamenta.
 

Matrículas e Dados: 

Segundo o Inep, 2014 registrou 665.592 matrículas em cursos presenciais em todo o país, sendo 182.162 em faculdades públicas e 483.430 em instituições privadas, um crescimento de 5% em relação a 2013.


Saiba mais:

Fies. No fim de 2014, o governo federal anunciou mudanças nas regras do Fundo de Licenciamento do Estudante do Ensino Superior (Fies), programa de crédito universitário.

Mudanças.

Entre as alterações para dar direito ao financiamento está uma nota mínima no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que passou a ser 450 pontos. Além disso, o candidato não pode ter tirado nota zero na redação.

Reajuste.

O Ministério da Educação também limitou o reajuste das mensalidades que ele financia a 6,4%.

Renda.

Além disso, só pode se inscrever quem tem renda familiar mensal bruta, por pessoa, de até dois e meio salários mínimos.

Prioridades.

O Fies passou a dar prioridade para cursos de formação de professores, engenharia e saúde, assim como os cursos que têm índices de qualidade maiores, com conceitos 4 e 5. 

Vagas. Em 2016, o Fies ofereceu 250.279 vagas, sendo que 47% delas foram nas regiões Norte e Nordeste e os demais 63% para os cursos considerados prioritários. 

Cortes atingem os programas federais

Em 2015, o Ministério da Educação (MEC) foi duramente atingido pela crise. Com um corte de R$ 9,4 bilhões, a pasta foi a terceira que mais perdeu verbas no ano passado, ficando atrás apenas dos ministérios das Cidades e da Saúde.

O resultado foi uma redução expressiva em dois programas do governo federal que eram símbolos da atual gestão. Em junho, o então ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, informou que o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) ofereceria cerca de 1 milhão de vagas. O número representou uma redução de 60% em relação a 2014, quando foram oferecidas 2,5 milhões de vagas.

Outro programa que sofreu um corte severo foi o Ciência sem Fronteiras, que financiava intercâmbios de estudantes brasileiros no exterior. A o ferta de novas bolsas foi congelada e a verba está sendo usada apenas para bancar os alunos que já estão fora do país. 

Professores criticam situação

Para a presidente do Sindicato dos Professores de Minas Gerais (SinproMinas), Valéria Morato, a crise foi usada como desculpa pelas universidades para que fossem feitos cortes de gastos. “A reorganização do Fies não é suficiente para justificar a quantidade de demissões de professores que tivemos no último ano”, criticou.

Ela lamentou também a sobrecarga que a evasão tem provocado nos professores. “Se saem muitos alunos, as instituições acabam fundindo turmas e criando salas com 60, 70 alunos. Com menos classes, o resultado é que eles cortam os profissionais”. Ela lembrou o caso do Centro Universitário Una, na capital, que de mitiu mais de 200 professores durante um corte de gastos em 2015. “Como as faculdades particulares não querem diminuir o lucro, quem sofre são os profissionais”.

A Una não se manifestou sobre as demissões.

Fonte: otempo.com.br

Notícia, também, publicada no Portal www.cmconsultoria.com.br 

Figura: Google