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Só 5,6% das matrículas do ensino médio são em tempo integral no Brasil

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26/09/2016 - Programa do MEC prevê ajuda de custo para aumentar porcentagem para 13% até 2018. Em entrevista ao G1, ministro diz que escolas mais pobres serão priorizadas.

Por Ana Carolina Moreno

Dados do Censo da Educação Básica mostram que, no Brasil, quase todos os estudantes do ensino médio estão matriculados na educação em tempo parcial (ou seja, estudam em média quatro horas por dia). Em 2015, o país tinha 6.811.005 estudantes matriculados no ensino médio regular, mas só 384.635 deles (ou 5,6%) estavam cursando o ensino médio em tempo integral – o equivalente a uma média de sete horas diárias de aulas.

Nenhum dos estados tem a maioria dos estudantes dessa etapa na escola em tempo integral: em 15 estados e no Distrito Federal, as matrículas de tempo integral representam menos de 3% do total. Apenas no Ceará, na Paraíba, em Pernambuco e em Rondônia há mais de 10% dos estudantes de ensino médio passando o dia na escola.

Para estimular a expansão dessas vagas, o Ministério da Educação decidiu pagar, às redes estaduais, um apoio anual de R$ 2 mil por aluno do ensino médio que passar ao tempo integral – a meta desse programa é de 257 mil vagas novas de ensino integral em 2017, e 257 mil em 2018. Considerando o número atual de matrículas, a medida pretende aumentar a porcentagem de vagas em tempo integral para 13% em dois anos. Em entrevista ao G1, o ministro da Educação, Mendonça Filho, afirmou que a portaria com as regras pode ser publicada ainda neste mês. A ajuda de custo terá duração de quatro anos, de acordo com o governo, o que custaria, no total, R$ 4 bilhões. O MEC anunciou que pretende investir R$ 1,5 bilhão para manter os pagamentos até o fim de 2018, quando termina a gestão.

Segundo ele, serão priorizadas as escolas e redes em situação socioeconômica mais baixa. "As redes que já estejam num patamar mais elevado precisam de menos apoio do que as redes com patamar mais sacrificado", explicou o ministro, na noite de sexta-feira (23).

Ensino integral no Brasil
Atualmente, a rede de ensino integral no ensino médio fica aquém do restante da educação básica. Comparado com as creches e pré-escolas, que compõem o ensino infantil, e as escolas dos anos iniciais e finais do ensino fundamental, o ensino médio é o que tem a menor porcentagem de matrículas em tempo integral.

Porém, segundo o Censo Escolar de 2015, só nas creches a maior parte das matrículas é oferecida em tempo integral (62,6%). No ensino fundamental, 21,9% das matrículas dos anos iniciais (1º ao 5º ano) são de ensino integral, e 16,4% dos estudantes dos anos finais (6º ao 9º ano) permanecem na escola, em média, sete horas por dia.

 

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