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Trabalhador bem formado é mais produtivo; Brasil investe, mas fica pra trás - Parte I

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24/08/2015 - Com cerca de 8 anos de estudos em média, brasileiro está entre os menos produtivos do mundo, dizem especialistas

Perla Ribeiro (perla.ribeiro@redebahia.com.br)

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Na Coreia do Sul, 65,7% da população entre 25 e 34 anos tem ensino superior completo. No Japão, são 58,6%. Bem distante disso está o Brasil, com apenas 15,2%. Segundo o IBGE, 49,9% dos brasileiros só estudaram até o ensino fundamental.

A escolaridade não é o único indicador a ser levado em consideração, mas explica muito o fato de o Brasil figurar entre os países com as taxas mais baixas de crescimento da produtividade no mundo. Em 2011, por exemplo, um brasileiro produzia, em média, 30% do que produzia um sul-coreano.

O grau de eficiência do Brasil para produzir bens e serviços é baixíssimo comparado aos países desenvolvidos e é o segundo pior da América Latina, ganhando apenas da Bolívia. E nas últimas décadas o Brasil ficou ainda mais distante dos países da fronteira.

“A produtividade no Brasil cresceu muito entre 1950 e 1980, período da industrialização, mas de 1980 até hoje a tendência de crescimento é muito baixa”, observa o especialista em produtividade do Instituto Brasileiro da Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas, Fernando Veloso. 
Houve até a retomada de um movimento de aceleração na segunda metade dos anos 2000, que coincidiu com a aceleração do crescimento da economia. Mas, de 2011 para cá, voltou a desacelerar, enquanto a produtividade de outras economias seguiam crescendo.

Segundo especialistas, é impossível ter uma boa produtividade sem investimento em capital humano, tecnologia, inovação, infraestrutura, bom ambiente de negócios, desburocratização e diminuição da carga tributária.

Uma simulação realizada pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) mostra que se o Brasil tivesse o mesmo ambiente de negócios do Chile, a produtividade cresceria 11%. Se a melhoria alcance o ambiente de negócios do Japão, cresceria até 29%. “É preciso ter um ambiente que estimule investimentos”, diz o gerente de competitividade da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Renato da Fonseca.

Para o professor de Inovação e Competitividade da Fundação Dom Cabral, Carlos Arruda, entre as causas do mau desempenho da produtividade está o baixo nível educacional dos trabalhadores.