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 UM EM CADA QUATRO JOVENS VAI ABANDONAR O ENSINO MÉDIO ATÉ O FINAL DO ANO

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18/10/2017 - A cada ano, quase 3 milhões de jovens abandonam a escola
no Brasil. É o que apontou o estudo Políticas Públicas para Redução
do Abandono e Evasão Escolar de Jovens, elaborado pelo Ensino Superior
em Negócios, Direito e Engenharia (Insper) e divulgado hoje (17).

Ao final deste ano, um em cada quatro jovens entre 15 e 17 anos de idade
vão abandonar seus estudos, não vão se matricular para o ano seguinte
ou serão reprovados. Isso corresponde a um universo de 2,8 milhões de
pessoas (27%), entre os 10 milhões de jovens estimados no país nessa
faixa etária e que deveriam, de acordo com a Constituição, estar
frequentando a escola.

Desse total de 10 milhões de jovens, cerca de 15% ou 1,5 milhão,
sequer vão se matricular para o início do ano letivo. Do restante,
entre aqueles que se matriculam, cerca de 7% ou 700 mil jovens vão
abandonar a escola antes do final do ano. Além disso, cerca de 600 mil
alunos (5%) serão reprovados por faltas, o que completa os 2,8 milhões
de jovens que estarão fora da escola a cada ano.

Segundo o estudo, mais da metade desses jovens (59% do total ou cerca de
6,1 milhões) vai concluir o Ensino Médio com no máximo um ano de
atraso. Além de todos os problemas que isso provocará para o futuro
desse jovem e para o país, a evasão (ausência de matrícula no
início do ano letivo) e o abandono escolar (desistência durante o ano
escolar) dos jovens também implica em prejuízo econômico: cerca de R$
35 bilhões por ano são desperdiçados no país por causa dessa
realidade.

O estudo mostra ainda que houve uma estagnação na matrícula dos
jovens entre 15 e 16 anos e que a porcentagem de jovens de 17 anos fora
da escola cresceu 6 pontos percentuais nos últimos 15 anos, passando de
34% para 39,8%. Isso, segundo o estudo, contradiz uma tendência
mundial: dados da Unesco apontam que 74% dos países avançam mais
rapidamente na inclusão de jovens de 15 a 17 anos que o Brasil.

Os dados revelam que mais da metade das nações tem menor porcentagem
de jovens fora da escola que o Brasil. Se manter este ritmo, o país
levará 200 anos para atingir a meta estabelecida no Plano Nacional de
Educação: universalizar o atendimento escolar para essa faixa etária
– que, pelo plano, deveria ter sido concluída no ano passado.

SOLUÇÃO PARA O DESENGAJAMENTO
As principais razões para o chamado desengajamento dos jovens,
segundo o estudo, estão associadas à pobreza e à dificuldade de
acesso, tais como a falta de escolas na comunidade onde o jovem vive ou
a falta de recursos para o transporte até a escola. Há também
questões relacionadas à inadequação do currículo adotado, do clima
escolar e da baixa qualidade dos serviços oferecidos pela escola.

Para reverter o quadro, o estudo propõe a criação de políticas
públicas para diminuir o desengajamento como a garantia de acesso
principalmente para aqueles que vivem em áreas rurais ou que têm
alguma deficiência ou para jovens que cumprem pena privados de
liberdade.

O estudo também propõe a criação de cursos profissionalizantes, um
sistema de aconselhamento, práticas esportivas e artísticas, aumento
das atividades à distância e flexibilização dos horários das aulas
e do modelo de avaliação para ajudar a reduzir a evasão escolar.

O estudo Políticas Públicas para Redução do Abandono e Evasão
Escolar de Jovens é organizado pela Fundação Brava, pelo Instituto
Unibanco e pelo Instituto Ayrton Senna e está disponível no site
Galeria de Estudos e Avaliação de Políticas Públicas, o Gesta.

Fonte: Portal agenciabrasil.ebc.com

Imagem: Google