Festival de Verão UFMG tem programação virtual

POR DIÁRIO DO COMÉRCIO

Nesta quarta-feira (9), às 18h30, acontece a abertura do 16º Festival de Verão UFMG. O evento contará com uma programação inteiramente gratuita e on-line, que poderá ser vista por todo o Brasil por meio do canal Cultura UFMG, no YouTube. Com o tema “Culturas em movimento: olhares da UFMG sobre a Semana de Arte Moderna”, a edição de 2022 comemora o centenário da Semana de Arte Moderna com reflexões sobre as contribuições, contradições e desdobramentos que o movimento proporcionou ao País. A realização é da Diretoria de Ação Cultural da UFMG.

A professora da Escola de Belas Artes Lúcia Pimentel conduzirá a homenagem ao artista indígena Jaider Esbell, falecido em 2 de novembro passado. Na ocasião, o público poderá assistir novamente à palestra “Rever Makunaíma”, que foi proferida por Jaider em 2021, durante o 53º Festival de Inverno UFMG. Em sua fala, o artista da etnia Macuxi refletiu sobre as origens do personagem mítico Macunaíma, nascido em uma tribo amazônica e que, em sua opinião, poderia representar “os sujeitos indígenas que despertam e advertem sobre o ato-reivindicação de um outro lugar para o mito, que seria, também, um outro lugar para a autoria, ilustrando, por tantos meios as apropriações, os deslocamentos e também as invisibilidades”.

Após a abertura do festival, o público poderá acompanhar, às 20h, a primeira roda de conversa sobre as ressonâncias da Semana de Arte Moderna no cenário contemporâneo, com os professores da UFMG Nísio Teixeira, do departamento de Comunicação, Roberto Said, do departamento de Letras, e Maria Angélica Melendi, do departamento de Artes Plásticas. A mediação será feita pela coordenadora do festival, Mônica Ribeiro, que também é diretora-adjunta de Ação Cultural da UFMG e professora do departamento de Belas Artes.

Para a reitora Sandra Regina Goulart Almeida, a Semana de Arte Moderna foi um marco no processo de valorização e afirmação da cultura brasileira, e seus desdobramentos são sentidos até hoje. “Esse centenário é muito mais do que uma efeméride. Refletir sobre a Semana de Arte Moderna é, sobretudo, refletir sobre os impasses de um Brasil que se modernizou, mas que ainda guarda traços de um país arcaico e desigual”, analisa a reitora. Ela acredita que é papel da UFMG estimular o debate sobre o movimento que lançou o país na modernidade. “Começamos essa discussão no ano passado, com o Festival de Inverno, e fecharemos esse ciclo agora, com o Festival de Verão”, afirma.

“Achamos importante focar nos olhares dos professores, artistas e pensadores da UFMG sobre o movimento modernista e a Semana de Arte Moderna. O tema Culturas em Movimento sintetiza nossa perspectiva contemporânea para refletir sobre as repercussões do Modernismo na arte e na cultura até os dias de hoje”, afirma o diretor de Ação Cultural da UFMG, Fernando Mencarelli, que coordena o Festival ao lado da diretora-adjunta, Mônica Medeiros Ribeiro.

Modernismo – Segundo a coordenadora-adjunta do Festival de Verão, Mônica Medeiros Ribeiro, os quatro dias de evento foram divididos segundo temáticas que exploram as nuances do movimento modernista. No primeiro dia, as ressonâncias da Semana de Arte Moderna no cenário contemporâneo guiarão as reflexões e os diálogos em uma palestra e roda de conversa; no segundo dia, pesquisadores convidados farão uma revisão sobre os grupos, as comunidades e os “modos de fazer” que não foram contemplados pela Semana de Arte Moderna de 1922, como as artes negra e indígena.

No terceiro dia, serão exploradas as emergências no âmbito cultural contemporâneo, a partir das provocações expressas no Manifesto da poesia pau-brasil, do escritor Oswald de Andrade. “Ver com os olhos livres”, uma das máximas presentes no documento, é interpretada aqui como possibilidade de praticar e fruir a cultura com base na alteridade e na diversidade. No último dia de Festival, será abordada a multiplicidade de saberes que constituem o campo de conhecimento das artes. “Na atualidade, há um movimento de abertura para outros conhecimentos e saberes na academia. Já é possível a presença dos saberes científicos com as artes e com os saberes da tradição, configurando uma pluriepistemologia. Durante esta edição do Festival, vamos realçar essas várias vozes que compõem a Universidade que desejamos”, afirma Ribeiro.

Criado em 2007, o Festival de Verão UFMG é realizado anualmente pela Diretoria de Ação Cultural. A iniciativa visa oferecer ao público e à cidade de Belo Horizonte um vasto e significativo programa cultural durante as férias de verão. A proposta é reconhecer e promover o processo de interação dinâmica entre cultura e educação.